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Felipe Corona: E agora Queiroz?

“E agora, Queiroz? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Queiroz? E agora, você?”.

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08 Jul 2020, 12:07 PM (GMT)

Por Felipe Corona*

Semana passada, o país foi surpreendido com a prisão de Fabrício Queiroz, amigo de décadas do presidente Jair Bolsonaro e uma espécie de gerente de operações do gabinete do então deputado estadual do RJ, Flávio Bolsonaro.

Há cerca de um ano, a pergunta que muitos faziam: – Cadê o Queiroz? Alguns vídeos chegaram a viralizar na internet quando fizeram esse mesmo questionamento para Carlos Bolsonaro (mais conhecido com Carluxo), o administrador das redes sociais do pai e bastante ativo no mundo virtual. Algumas vezes, ele mandou os cidadãos tomarem em determinada parte escondida do corpo. Em outras, houve ameaças de agressões físicas de pessoas que estavam com Carluxo.

Em uma operação surpresa, onde nem os policiais civis sabiam quem iam prender, Queiroz foi encontrado em uma chácara disfarçada de escritório de advocacia, em Atibaia (famosa essa cidade hein?). O ex-policial militar do Rio e suspeito de ter ligação com milicianos, não esboçou nenhuma reação. Pelo semblante e relatos de quem participou da operação, ele parecia não acreditar que estava sendo preso depois de tanto tempo.

O fato era que houve uma fraude para escondê-lo na tal propriedade, que em uma “coincidência terrível”, está no nome de Frederick Wassef, advogado de Jair e Flávio Bolsonaro. Freddy, como é chamado, ficou nervoso, gaguejou em algumas entrevistas que deu para tentar justificar a presença de Queiroz no local. Ele deu a entender que Fabrício Queiroz apareceu brotou lá, do nada.

Tanto que a pergunta da colega jornalista Andréia Sadi (TV Globo) viralizou durante o final de semana: “O Queiroz pulou o muro? Apareceu voando na casa do senhor? Ou foi levado por alguém?”.

Wassef saiu pela tangente e afirmou que no momento certo iria explicar a presença do tal amigo da família Bolsonaro para não causar nenhum outro problema ao clã.

Já corre à boca miúda (muita coisa contada pelos policiais do Rio de Janeiro) que Queiroz chora todos os dias na prisão, mas reclama da comida. Em Atibaia, em seu exílio forçado, comia churrascos e tomava uma cervejinha quase todo o santo dia. Em Bangu, a marmita deve chegar fria, com arroz, feijão e uma carninha de segunda. A boa vida proporcionada pela relação de anos com o grupo poderoso parece que começa a ficar para trás.

Duas personagens preocupam quem cerca os Bolsonaros: Márcia, esposa de FQ, que está foragida e supostamente apoiava o marido na operação do esquema das “rachadinhas” na Alerj e a filha deles, Nathália.

Em uma conversa conseguida pelo Ministério Público do RJ, um diálogo entre as duas parece um misto de desabafo e condenação do marido/pai: “Meu pai não se cansa de ser burro né?”.

Márcia respondeu: “Cara, é f…! Não sei cara, quando é que teu pai vai aprender a fechar o c… da boca dele? Eu tô cansada!”. Nathália, inconformada com a suposta “burrice” do pai, voltou a mandar textão para a mulher dele, que não é sua mãe.

“Márcia, eu vou te falar. De coração. Eu não consigo mais ter pena do meu pai, porque ele não aprende. Meu pai é burro! Meu pai é burro! Ele não ouve. Ele não faz as coisas que tem que fazer. Ele continua falando de política. Ele continua se achando o cara da política”.

Ela diz ainda que, sempre que o encontra, Queiroz insiste em falar em política em nomeações. “Quando tá tudo quietinho. Tudo quietinho. Aí vem uma bomba. E vem a bomba vindo do meu pai, né? Pra piorar as coisas, pros advogados do 01, todo mundo fica puto, revoltado. Com certeza todo mundo vai comer o c. dele falando”, emendou em possível referência aos advogados de Flávio Bolsonaro, o “01”, como o próprio Bolsonaro costuma se referir ao filho mais velho.

Lendo esses diálogos, mais o recolhimento de Jair, que já faz um tempinho que não fala com sua claque na frente do Palácio do Planalto, além do silêncio sepulcral de Flávio, também já corre o boato (que causa arrepios a eles) que duas bombas estão prestes à explodir: uma possível delação premiada de FQ e de Frederick Wassef, que anda muito nervoso e chora quando começa a falar sobre assuntos envolvendo a prisão do amigo de JB e as rachadinhas.

Dentro do meu humilde conhecimento, só me vem à cabeça, um pedacinho do famoso poema de Carlos Drummond de Andrade (que virou música com Paulo Diniz), sobre outro personagem, mas que cabe bem para o preso mais famoso do Brasil em 2020: “E agora, Queiroz? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, Queiroz? E agora, você?”.

Se ele falar, a bandeira da corrupção que tanto a família Bolsonaro balançava terminará de ser enterrada e teremos mais um processo de impeachment à vista. Porém, ainda tem muita água para rolar embaixo dessa ponte e já tem gente com medo até da Nathalia, que já desabafou “demais”, segundo alguns apoiadores do clã presidencial. A ver as cenas dos próximos capítulos desse dramalhão brasileiro, com muito choro e ranger de dentes.

*Felipe Corona é jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pós-graduado em Comunicação Organizacional e Integrada pela Faculdade de Rondônia (FARO). Já atuou em diversos veículos e assessorias de comunicação públicas no Amazonas e em Rondônia. Atualmente, é correspondente-colaborador da Folha de São Paulo em Porto Velho.

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