FalaTV

Felipe Corona: Covid-19 – números viraram pessoas conhecidas

Nos últimos tempos, a única medida efetiva para evitar ser infectado é ficar em casa e sair somente para fazer o necessário.

COVID-19 NO BRASIL

N/A 4,718,115 TOTAL
N/A 141,441 (3.0%) MORTES
N/A 4,050,837 (85.9%) RECUPERADOS
27 Sep 2020, 12:09 PM (GMT)

Por Felipe Corona*

Os últimos dias têm sido bem difíceis no combate ao coronavírus/Covid-19. De umas duas semanas para cá, a média das mortes tem ficado entre 800 e 1 mil.

Na terça-feira (02), um triste recorde: quase 1.300 brasileiros perderam a vida, número muito maior ou igual dos países europeus que sofreram com a doença, como França, Espanha ou Itália.

Falando de mim, algumas figuras conhecidas partiram de maneira repentina. Mais recentemente, Uyrandê Castro, pai do querido Emerson Castro. Figura empreendedora em Porto Velho, que fundou um hotel famoso da capital de Rondônia e uma casa de shows que foi um grande sucesso no final dos anos 1990 e início de 2000.

Segundo Emerson, o pai foi visitá-lo em dezembro, em Juazeiro, na Bahia, onde acompanhou a inauguração do novo negócio do filho, uma cervejaria. Durante o encontro, aconteceu o convite para Uyrandê ir morar na cidade baiana, às margens do Rio São Francisco. Três semanas atrás, o convite foi intensificado. Mas, não houve tempo. Ao voltar para Rondônia, o pai contraiu Covid-19. Ficou vários dias internado e não resistiu. Foi para o descanso eterno aos 73 anos.

Nesta mesma terca-feira (02), o seo Áureo, pai da minha querida amiga/irmã, Daiana Costa, também nos deixou. Ele tinha problemas renais causados por diabetes. Estava internado desde a quinta-feira (28/05), na UPA da zona Sul. Por falta de leitos de UTI com diálise, ele ficou lá. Sendo cuidado da forma que era possível pelos bravos profissionais da saúde. Infelizmente, não aguentou.

Alguns especialistas dizem que estamos vivendo o auge da pandemia. Outros, afirmam categoricamente que o pior ainda está por vir. Ainda mais que várias cidades estão começando a “afrouxar” o isolamento social. Aí entram Rio de Janeiro, Fortaleza e Manaus, por exemplo. O Amazonas, com mais de 40 mil casos, em nenhum momento cogitou o lockdown, que seria a restrição total. A medida seria extremamente necessária, mas houve resistência da classe política.

O resultado por lá já são mais de 2 mil mortes, com enterros sendo feitos em valas coletivas e até à noite. Em várias famílias, já houve a perda de 3 ou 4 membros de maneira seguida. Uma ferida que nunca vai cicatrizar, pois em muitas situações, os doentes morreram em casa, sem nenhum tipo de assistência.

Já aconteceram comparações infelizes de que acidentes de carro, câncer, dengue e outros males matam mais do que a Covid-19 em um ano. São dinâmicas diferentes e doenças mais conhecidas, com tratamentos consolidados. O coronavírus é desconhecido. Não é à toa que temos quase 400 estudos simultâneos pelo mundo para encontrar remédios para o tratamento ou vacinas.

Para quem ainda duvida, de março até agora, quase 32 mil brasileiros morreram em quase 3 meses da declaração da pandemia. Em um ano, morrem assassinadas no Brasil de 55 a 60 mil pessoas. Para efeito de comparação, caso ainda insistam, morrem em média de 4.500 a 5 mil pessoas por mês de causas violentas, como facadas ou tiros. Já no caso da Covid-19, são mais de 10 mil óbitos por mês.

Muitos só colocam a mão na consciência quando sentem a dor da perda. Ainda é possível ver no Brasil, milhares de pessoas andando pelas ruas de maneira despreocupada, sem tomar os mínimos cuidados para evitar a doença, como o uso de máscara e álcool em gel.

Mas, pergunte para um familiar que perdeu um parente para esta guerra. Além da luta pela vida em uma UTI, repleto de fios e tubos, quando acontece o pior, não há a possibilidade de velório nem de uma última olhada no rosto de quem partiu. Pelo alto risco de contágio, é direto da funerária para a sepultura, infelizmente.

Nos últimos tempos, a única medida efetiva para evitar ser infectado é ficar em casa e sair somente para fazer o necessário. Já que muitas pessoas não podem ficar em suas residências, pois fazem serviços extremamente essenciais, só nos resta torcer para que passem incólumes por essa loucura que estamos vivendo.

Não é fácil ver tanta gente sofrendo e a gente não poder sequer, dar um abraço para ajudar a confortar. Desejo do fundo da minha alma, que ninguém passe pela mesma situação que meus amigos, amigas ou conhecidos passaram ou estão passando por este luto tão difícil. Oremos por todos!

*Felipe Corona é jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pós-graduado em Comunicação Organizacional e Integrada pela Faculdade de Rondônia (FARO). Já atuou em diversos veículos e assessorias de comunicação públicas no Amazonas e em Rondônia. Atualmente, é correspondente-colaborador da Folha de São Paulo em Porto Velho.

COVID-19 NO BRASIL

N/A 4,718,115 TOTAL
N/A 141,441 (3.0%) MORTES
N/A 4,050,837 (85.9%) RECUPERADOS
27 Sep 2020, 12:09 PM (GMT)

Fale conosco

redacao@falatv.com.br

Instagram

Instagram has returned empty data. Please authorize your Instagram account in the plugin settings .

We would like to keep you updated with special notifications.