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Felipe Corona: Bolsonaro se rende ao Centrão

O que muitos preferem não enxergar é que Bolsonaro enterrou muitas de suas promessas.

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08 Jul 2020, 12:30 PM (GMT)

Por Felipe Corona*

Bolsonaro falou diversas vezes aos apoiadores e imprensa que tinha acabado a “época da patifaria” e da “velha política” e ainda completou em alguns momentos: – “Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás, nós temos um novo Brasil pela frente”, comentou.

Então, como ele estava de “mal” com boa parte do parlamento (leia-se Rodrigo Maia), este último reagiu várias vezes às falas do presidente. Uma delas durante a tramitação da Reforma da Previdência, uma das bandeiras de governo de JB. “Eu estou aqui para ajudar, mas o governo não quer ajuda… Eu sou a boa política, e não a velha política. Mas se acham que sou a velha, estou fora”, disse Maia, numa crítica direta a Bolsonaro.

Passado pouco mais de um ano, de maneira quase milagrosa, o chefe do Executivo começou a se “aproximar” de figuras controversas da política nacional: Valdemar da Costa Neto (envolvido no Mensalão, presidente do PL), Roberto Jefferson (também no rolo do Mensalão, presidente do PTB), Arthur Lira (deputado federal e líder do PP na Câmara) e o famoso senador Ciro Nogueira (presidente do PP).

Todos esses que citei são ligados ao famoso Centrão, cuja definição na internet é interessante: “refere-se a um conjunto de partidos políticos que não possuem uma orientação ideológica específica e tem como objetivo assegurar uma proximidade ao poder Executivo de modo que este lhes garanta vantagens e lhes permita distribuir privilégios.

Apesar do nome, o Centrão não se trata necessariamente de um grupo de espectro político-ideológico centrista, mas de um agrupamento de siglas de orientação conservadora, geralmente composto por parlamentares do “baixo clero”, que atuam conforme seus próprios interesses”.

Opa, mas parece que o Centrão gosta de fazer a velha política! Vendo que o futuro de seu governo estava em jogo, com a iminência de um possível pedido de impeachment chegar à Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro começou a distribuir cargos para todo esse povo enrolado (muitos com processos correndo na Justiça ou já sido até presos).

Foram saindo nomeações do segundo escalão para a Presidência do Departamento de Obras Contra as Secas (DNOCS para o PL), Banco do Nordeste (essa durou apenas um dia, já que o ex-futuro presidente estava enrolado até o pescoço) e a joia da coroa: o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que foi para o PP de Ciro Nogueira.

Este último tem um orçamento de quase 50 BILHÕES DE REAIS e cuida da merenda escolar e livros didáticos de todo o país. Ainda há outras dezenas de nomeações “menores” nos estados que estão correndo soltas.

A última cartada do “Mito” para tentar se salvar foi a recriação do Ministério das Comunicações, que também absorveu a Secretaria de Comunicação (Secom) e sua verba de mídia. Quem foi o agraciado? Fábio Faria, deputado federal do PSD (de Gilberto Kassab), do Rio Grande do Norte, que está no quarto mandato.

Mas você se pergunta: quem é esse? Fábio ficou famoso por namorar mulheres famosas e ser “bonitão”. Entre suas conquistas estão Sabrina Sato, Priscila Fantin, Adriane Galisteu, e a última, Patrícia Abravanel, com quem está casado e tem três filhos.

Pois bem, JB matou três coelhos com uma paulada só: agradou ao Centrão, Rodrigo Maia (que é amigo há muitos anos de FF) e o sogro de Fábio, Silvio Santos. Ele mesmo, o homem do Baú e fundador do SBT, rede de televisão que hoje recebe gordas verbas publicitárias do governo Bolsonaro.

Fábio, mesmo sendo do baixo clero e quase apagado, tem muito trânsito pelos corredores da Câmara dos Deputados. Sua escolha não foi à toa: vai negociar muito com os companheiros de parlamento, além de agradar todos os veículos de comunicação que forem “simpáticos” às ações do Governo Federal.

O que muitos preferem não enxergar é que Bolsonaro enterrou muitas de suas promessas. Uma delas de acabar com a corrupção, já que se envolveu com pessoas que estão bem enroladas com a Justiça em vários níveis, justamente por ROUBO DE DINHEIRO PÚBLICO.

A segunda é mais prática: reduzir o tamanho da máquina pública. Isso foi de ralo, pois o presidente anunciou aos quatro ventos que queria apenas 15 ministérios em seu governo. Com a recriação do Ministério das Comunicações já são 23 pastas.

Mesmo com tantas benesses para aliados e coleguinhas, ninguém sabe dizer qual o futuro de JB no governo, pois o cerco está vindo de vários lados. E não dá pra dizer que ele deve ter confiança somente no Centrão.

Ou alguém lembra do que aconteceu com a Dilma? Quando o barquinho dela começou a afundar, os primeiros a saltarem da embarcação foram o PSD de Kassab e o PP de Ciro Nogueira e Arthur Lira. Abre o olho, Mito! Não vai na onda do ditado popular: “Para quem está se afogando, jacaré é tronco”. O Centrão pode te enganar!

*Felipe Corona é jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pós-graduado em Comunicação Organizacional e Integrada pela Faculdade de Rondônia (FARO). Já atuou em diversos veículos e assessorias de comunicação públicas no Amazonas e em Rondônia. Atualmente, é correspondente-colaborador da Folha de São Paulo em Porto Velho.

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