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Felipe Corona: A nossa bandeira (ainda) é verde e amarela

COVID-19 NO BRASIL

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01 Oct 2020, 4:20 AM (GMT)

Não só os jornalistas, mas toda a população com bom senso, não deve ficar calada quando acontecerem episódios que envolvem extrema violência e intolerância. Aliás, os excessos, sejam de direita ou esquerda, são maléficos para as democracias.

Por Felipe Corona*

Assisti sem entender o que levou um dos “apoiadores” do presidente Jair Bolsonaro estar com as bandeiras de Israel e Estados Unidos para o ato do último domingo (03), mesmo todos usando as camisas da seleção brasileira ou com as cores da NOSSA BANDEIRA.

Vou colocar aqui as minhas impressões (mesmo que estejam erradas) sobre a presença dos pavilhões desses dois países em Brasília: Israel – sempre foi um país que lutou muito com seu povo para se defender (só lembrar do Holocausto vivido por eles durante a Segunda Guerra Mundial), além das guerras sangrentas com os vizinhos árabes/palestinos para assegurar seus territórios.

Já os EUA, sempre utilizaram a força bruta para se estabelecer em diversas formas, mas especialmente, pela área militar, já que é o país que mais investe na defesa no mundo. Só ver a presença dos norte-americanos em diversos combates antigos e recentes no planeta, com presença maciça de soldados e forte armamento.

Até hoje, não vi nenhuma explicação oficial sobre o assunto. Só percebi que o “porta-bandeiras”, estava bem próximo do presidente e seguranças, mexendo no celular, sem ser incomodado por ninguém.

Para quem não conhece o simbolismo da bandeira do Brasil, é simples: o verde são as florestas; o amarelo, as riquezas, como o ouro; o azul, o céu; as estrelas, os estados da federação. Já a inscrição “Ordem e Progresso”, já se explica por si só.

Já não bastasse isso, ainda tivemos o de sempre dos bolsonaristas: pedidos de intervenção militar, além do fechamento do Congresso Nacional e STF. Lembro que são reivindicações inconstitucionais e antidemocráticas, já que quando isso ocorreu durante a DITADURA MILITAR, por quase 30 anos, as garantias individuais e coletivas foram solenemente ignoradas.

Ao tomar posse do cargo, Jair Bolsonaro não defende mais essas medidas abertamente, mas quem acompanhou sua campanha, viu que ele tocou no assunto várias vezes. Chegou a dizer que bastaria mandar um “cabo e um soldado” e fecharia o STF. Lógico, que isto causou uma grande celeuma, já esquecida por grande parte dos seus eleitores, mas em algum lugar dos seus subconscientes ainda reverbera.

Tanto que aumentou a violência contra os jornalistas, que nada mais são do que testemunhas dos fatos. Não inventamos nem criamos nada. Porém, estamos vendo que as liberdades de expressão e do livre exercício da profissão estão em risco (cada dia mais).

No sábado (02), um cinegrafista da RIC TV (afiliada da Record) foi agredido por seguidores de Bolsonaro, quando fazia imagens da chegada de Sérgio Moro à sede da Polícia Federal em Curitiba.

No dia seguinte, profissionais d’O Estado de São Paulo, Folha de SP e Poder 360 foram hostilizados (novamente) por “eleitores” de JB. O pior caso foi do repórter fotográfico Dida Sampaio (d’O Estado), que foi derrubado da escada em que estava, levou empurrões e foi xingado, até ser retirado do local com a ajuda de policiais militares.

Brazilian photographer Dida Sampaio is prevented from photographing by supporters of far-right Brazilian President Jair Bolsonaro during a protest against the president of the Chamber of Deputies Rodrigo Maia, quarantine and social distancing measures, amid the coronavirus disease (COVID-19) outbreak, in Brasilia, Brazil May 3, 2020. REUTERS/Ueslei Marcelino

Logicamente, ele prestou uma queixa em uma delegacia e entregou diversas imagens daqueles que cometeram essas atrocidades contra ele e os demais jornalistas. Esse é apenas um dos casos, onde a defesa por um político ou uma ideologia, leva à extremismos e totalitarismos perigosos para a jovem democracia brasileira.

Não só os jornalistas, mas toda a população com bom senso, não deve ficar calada quando acontecerem episódios que envolvem extrema violência e intolerância. Aliás, os excessos, sejam de direita ou esquerda, são maléficos para as democracias. Só ver o que aconteceu na Alemanha (com o Nazismo), na Itália (com o Facismo), em Cuba, Venezuela, Rússia (na época da URSS), Coreia do Norte e outras nações que viveram DITADURAS MILITARES.

Já não bastasse essa pandemia do Coronavírus/Covid-19, ainda temos que combater os vírus da hostilidade, da insensatez e do ódio, que andam tomando conta de parte da população.

Que isso passe logo, para que os danos não sejam eternos, iguais as cicatrizes que ainda ardem nos corações de muitas famílias brasileiras, que sequer, sabem os paradeiros de pessoas que foram levadas aos porões do DOPS e nunca mais foram vistos. Ditadura (disfarçada de governo), nunca mais!

*Felipe Corona é jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pós-graduado em Comunicação Organizacional e Integrada pela Faculdade de Rondônia (FARO). Já atuou em diversos veículos e assessorias de comunicação públicas no Amazonas e em Rondônia. Atualmente, é correspondente-colaborador da Folha de São Paulo em Porto Velho.

COVID-19 NO BRASIL

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