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Felipe Corona: A mudança que pode vir do racismo

Aqui no Brasil, não vivemos situação tão diferente, mesmo com a maioria da população sendo negra ou parda.

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1,072,229 (64.0%) RECUPERADOS
08 Jul 2020, 12:35 PM (GMT)

Por Felipe Corona*

Nesta terça-feira (09), um dos capítulos mais tristes da história dos Estados Unidos, e quiçá, do mundo pode ter sido encerrado: o enterro de George Floyd, ex-segurança de 46 anos, morto sufocado após a abordagem (?) feita por Derek Chauvin, policial de Mineápolis, capital do estado de Minnesota, Centro-Oeste do país, ainda no dia 25 de maio.

Segundo relatos dos policiais, George era suspeito de ter passado uma nota de 20 dólares supostamente falsa. Foram quase nove minutos que a vítima ficou com o rosto no asfalto e o joelho de Derek sobre o seu pescoço. Mesmo com as súplicas do suspeito que dizia que não conseguia respirar, Chauvin manteve a abordagem truculenta e excessiva, já que havia outros três policiais envolvidos na ação (um deles, descendente de asiáticos).

Pessoas vendo a cena começaram a filmar tudo e pedir para que o policial mudasse de posição. Ele ignorou solenemente os apelos de todos e só parou quando George ficou desacordado e uma ambulância foi chamada. Ele morreu antes de dar entrada no hospital.

Policiais se ajoelham diante de manifestantes em Ferguson, no Missouri, nesta domingo (31); gesto é um dos símbolos dos protestos antirracistas nos EUA — Foto: Robert Cohen/St. Louis Post-Dispatch via AP

Não foi a primeira, e provavelmente, não será a última vez que policiais brancos serão violentos ou matarão negros norte-americanos. A história de truculência contra minorias nos EUA é de longa data. Sem contar que séculos depois, a segregação racial nos Estados Unidos ainda é muito forte. É muito comum encontrar bairros de brancos e negros. Igrejas de pretos e igreja de brancos e por aí vai.

O resultado disso foi um cansaço da maioria da população, que foi às ruas gritar palavras de ordem contra este “apartheid informal” nas cidades estadunidenses. Há cidades mais “tolerantes” com os afrodecendentes, como Los Angeles, Nova Iorque e Miami. Mas, em outras, eles vivem em verdadeiros guetos, isolados em seus distritos, sendo esquecidos pelos governantes em sua maioria brancos, de olhos azuis.

Movimentos como “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam) ganharam novo impulso, aliadas a novas iniciativas e muitas doações de artistas negros e brancos. Um deles, o astro do basquete Michael Jordan, prometeu doar 10 milhões de dólares, durante 20 anos, para iniciativas que promovam políticas públicas e contra o racismo.

Aqui no Brasil, não vivemos situação tão diferente, mesmo com a maioria da população sendo negra ou parda. Os principais cargos das grandes empresas são ocupados por pessoas da raça branca, enquanto os negros têm acesso à maioria dos empregos mais braçais, com baixa escolaridade.

O racismo é “velado”, onde negros são confundidos com garçons, manobristas de estacionamento, empregadas domésticas, babás, garis e outros cargos “dados” a eles ou elas. Ainda temos aquelas expressões que já saem sem querer: “serviço de preto”, “amanhã é dia de preto”, “neguinho tá enrolado” e outras.

Tanto nos EUA quanto por aqui ainda vai demorar para os negros ocuparem mais lugares de destaque na sociedade. Falta o básico para nós: educação de qualidade, acesso a melhores chances no mercado de trabalho, qualificação profissional… A lista é longa.

Não vou entrar em determinados números ou pesquisas, pois esse artigo ficaria com páginas e páginas. A história é conhecida, mas solenemente ignorada. Às vezes só é trazida à tona quando surgem as grandes tragédias que causam comoção mundial, que foi o caso de George Floyd, por exemplo.

Mas, todos os dias, nos próprios EUA, Brasil ou África, morrem milhares de negros, esquecidos, subjulgados pela cor da pele e pela sentença da pobreza que enfrentam todos os dias. O alento fica por conta das vozes de todas as cores que resolvem se juntar e ocupar as ruas das principais cidades do mundo.

E como disse a filha de George Floyd, filmada nos braços de um amigo da família: “Papai mudou o mundo”. Pena que foi somente com a morte dele que as pessoas acordaram desse sono letárgico e nojento. Aproveitamos a também a oportunidade de deixar registrada para sempre a frase do irmão da vítima, Terence Floyd, antes do enterro: “Não vamos fechar esta porta”.

É hora de ultrapassar a porta do racismo para mudar o mundo e a mente tacanha de muitas pessoas que ainda acham que o caráter se mede pelo tom de pele das pessoas. Embaixo da pele, o sangue é igual: vermelho! O que importa são as boas atitudes de cada um, que há muito tempo vêm sendo deixadas de lado, em nome de determinados “valores”.

*Felipe Corona é jornalista, formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pós-graduado em Comunicação Organizacional e Integrada pela Faculdade de Rondônia (FARO). Já atuou em diversos veículos e assessorias de comunicação públicas no Amazonas e em Rondônia. Atualmente, é correspondente-colaborador da Folha de São Paulo em Porto Velho.

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